Câncer colorretal: saiba como a alimentação interfere no surgimento da doença

29 de março de 2025
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Dieta pobre em fibras e com excesso de ultraprocessados contribui para incidência de tumores malignos no intestino

Desenvolvido a partir de pólipos, lesões benignas que se formam no intestino grosso, o câncer colorretal é um dos mais recorrentes no país e no mundo. De acordo com previsões do Instituto Nacional de Câncer (Inca), entre 2026 e 2030, a doença será a terceira mais impactante para homens e mulheres, ficando atrás apenas de neoplasias no estômago, pulmão/traqueia e mama. “O surgimento desse tipo de câncer tem forte relação com padrões alimentares inadequados. O consumo exagerado de carnes vermelhas, açúcares e alimentos ultraprocessados, em detrimento da ingestão de fontes de fibras, aumenta consideravelmente o risco”, alerta Mirela Carvalho, nutricionista e professora do curso de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS). Obesidade, tabagismo e excesso de bebidas alcoólicas também têm sido observados em pacientes que apresentam os tumores que afetam o cólon, a parte final do intestino e o ânus. Outras ligações incluem idade igual ou acima de 45 anos e histórico familiar. Diante desses fatores, a profissional ressalta que o principal meio de prevenção é a mudança no estilo de vida, a começar pela adoção de uma dieta mais equilibrada. “Alimentos na sua versão natural, com maior concentração de vitaminas e minerais, sempre vão promover a saúde do maior órgão de defesa do nosso corpo, o trato gastrointestinal”, diz.

Estratégias alimentares

Prática de atividades físicas, controle do peso corporal e alimentação saudável são grandes aliados no combate à neoplasia. No que diz respeito ao padrão alimentar, a nutricionista destaca que a orientação é o consumo de itens sem adição de conservantes artificiais, a exemplo de frutas, verduras, legumes, raízes, cereais integrais, carnes magras (bovina, suína, aves e peixes), leguminosas, grãos e sementes. Cirurgiã geral, coloproctologista e também professora do curso de Medicina da UNIFACS, Ursula Galvão reforça que a ingestão de carne vermelha precisa ser limitada. “Estudos associam o consumo excessivo a inflamações no intestino. Por isso, é importante balancear a proteína no cardápio”, pontua. Segundo o Ministério da Saúde, o ideal é até 500 gramas por semana. Outro auxílio preventivo, conforme a especialista, é a vitamina D. “Evidências científicas apontam que a suplementação de vitamina D está veiculada à diminuição do risco de câncer do cólon e reto. Apesar disso, o uso deve ocorrer apenas com prescrição médica e nutricional, uma vez que a quantidade é definida de acordo com as necessidades de cada indivíduo”, afirma

Detecção precoce

Além de hábitos saudáveis para manter o funcionamento e a integridade da barreira intestinal, o rastreio da doença é determinante na identificação de pólipos, assim como no diagnóstico do câncer em estágio inicial. A realização da colonoscopia é o meio mais eficaz de detecção, sendo recomendada a partir dos 45 anos e repetido a cada cinco anos, a depender da indicação médica. “A colonoscopia é o exame padrão-ouro para diagnóstico e prevenção, pois permite avaliar a presença e retirar os pólipos antes da evolução para tumores malignos. Por esse motivo, em casos de histórico familiar positivo, doenças genéticas e demais fatores de risco, o rastreamento deve começar mais cedo, impedindo o desenvolvimento do câncer de intestino”, conclui Ursula Galvão.

Foto: divulgação